Acontece que toda família estava reunida em volta da mesa, comemorando o natal. O pai, a mãe, o filho mais velho de vinte um, o do meio de dezessete e a mais nova de quatorze. Estavam também o avô e avó, pais da mãe. A família era tão evangélica que deixaram um lugar na ponta para o nosso senhor Jesus Cristo (vai ver ele quem iria pagar a conta!). Estava um clima legal. Não era a coisa mais animada do mundo, mas também não era a "Santa Ceia". O pai conversava com a avó alguma coisa sobre vinhos e havia um pequeno burburinho no ambiente.
"Me passa um pedaço de tender?" - Pede o avô gentilmente com o prato estendido sobre a tigela de arroz. A menor, viu nessa indgação a oportunidade:"O Caio é gay!" - Imediatamente ela leva as duas mãos a boca e todos ficam em absoluto silêncio, exceto o avô continua com a mão estendida segurando o prato, sobre a tigela de arroz. Todos encaram o filho do meio, Caio, que encara a amais nova com uma certa feição indiscritível.
"Como é que é?" - Pergunta Caiohorrorizado.
"Desculpa Caio, saiu." - Tenta se desculpar a menor, morrendo de vergonha da situação que causara.
"Mãe..." - Caio se vira imadiatamente pra mãe que logo coloca a mão sobre o ombro do filho.
"Tudo bem meu filho, tudo bem. Eu já sabia."
"Mas..." - Quando Caio tentava completar é intorrompido pela explosão do pai:
"Você já sabia?! Você já sabia e não me disse nada?!"
"Esse tender está mesmo delicioso!" - Completa o avô.
"Pai..." - Tenta Caio.
"Você cale a boca!" - Grita o pai estarrecido"Vá direto pro seu quarto que eu vou ter uma conversinha com você!
"Você não vai machucá-lo!" - Grita a avó.
"Não se meta na educação que eu dou aos meus filhos!" - Responde o pai de pé e furioso. - "Tá esperando o que? Que eu te arraste pelos cabelos?"
"Mas pai, eu não..."
"CALA A BOCA MOLEQUE! PEDERASTA!
"Calma amor, deixa ele falar! - Suplica a mãe desesperada.
"Falara o que? As aventuras sexuais e avida indigesta que ele leva? Eu já devia suspeitar! Viagem pra lá, dormir em casa de amigo pra cá!"
"Desculpa Caio..." - Tentava a X9 menor quietinha.
"Bota mais dois pedaços de tender pra mim?" - Pediu o gentil vovô com o prato no mão.
"Pai..." - Tentava Caio novamente.
"Eu não quero ouvir você!" - Gritava o pai com as mãos nos ouvidos.
"Escute ele!" - Implorava a mãe aos prantos.
"Eu não quero!" Gritava o pai com as mãos nos ouvidos e se balançando desse vez.
"Bota mais dois pedaços de tender pra mim?" - Pedia o velho faminto.
"Pai..." - Tentava Caio pela última vez.
"Não!" - Esperneava o pai.
"Pai, EU NÃO SOU GAY!" - Finalmente o menor consiguira.
Silêncio absoluto.
"Eu sou."
Rodos se viravam para o mais velho.
"A deixa que eu pego!" - Proclama o impaciente vovô, levando o garfo até o prato do tender.
Volta a confusão.
"E querem saber do que mais? Não precisa me mandar pro quarto não! Eu vou embora! - Sai a bichinha puta da vida.
"Como assim vai embora?" - Levanta o pai - "Pra onde você vai?" - Sai atrás gritando que nem um degenerado.
"Calma amor! Pelo amor de Deus!" - Vai a mãe atrás tentando acalmar.
"Viu o que você fez? Satisfeita agora?!" Pergunta Caio á caçula, já se levantando para seguir o furdunço.
"Mas quem dá pinta é você! Foi você de quem eu falei. Não ele!" - Vai a caçula atrás tentando se redimir.
Quando enfim, silêncio total. Somente dois seres abitam o cômodo: o avô e avó. Trê contando com o Espirito Santo da cabiçeira.
O avô terminando de comer seus dois pedaços de tender, a velha, quase morrendo, leva a mão ao coração. Ele "raspa" o prato e segura o garfo com a força da direita:
"Ué?... Acabou o tender?"
por alberto szafran
----------x----------
Nenhum comentário:
Postar um comentário