segunda-feira, 16 de agosto de 2010

no stress.

Mizída se matriculou no Yoga acreditando seria a solução de seus problemas de stress. Sempre submetida a horas exaustivas na firma, viu nessa aula a oportunidade para expantar o mau-humor e adotar a legendária frase: "no stress".
Yoga: a arte milenar capaz de solucionar os seus problemas com calma e ponderação.
Talvez Mizídia aprendesse nessas aulas a ganhar muito dinheiro fácil. Ela jurava que a falta de dinheiro era a causa de seus problemas e que todos que faziam yogaseram ricos, segundo ela você nunca verá um mendigo meditando, se claro, ele não estiver defecando (palavras dela, não minhas).
E Mizídia foi assistir a essa aula. Sentou-se no chão da praça Juscelino Kubitschek e aguardou sobre a sua kanga estendida. A aula estava marcada para começar ás 16 horas. Segundo o folheto: "A hora que os astros começam a se alinhar para o espetáculo do pôr-do-sol. Eram 16:07 e ninguém. Tudo bem. Gente rica atrasa. Mas a professora? Meio incomum. Poderia ser um dia atípico. Mizídia pensou em ser horário de verão, mas estávamos em meados de julho, inverno no Rio de Janeiro.
16:24. As pessoas passavam e seguravam o riso. Algumas olhavam com curiosidade e outras, mais apressadas, nem tanto. E o lugar? Pleno centro da cidade. Muito movimentado. Não tinha muita cara de aula de yoga, aliás, não tinha muita cara de gente rica.
Então algo surgu na cabeça de Mizídia que ela foi a sua bolsa procurar o panfleto que achava no balcão da firma: AULA DE YOGA - SÁBADO - 16:00 (hora que os astros...) - PRAÇA GETÚLIO VARGAS
- Puta que pariu! Errei o presidente! - Gritou Mizídia como se a culpa de Lula estar no poder fosse dela. Jogou a kanga dentro da bolsa e saiu correndo em busca de um táxi para Ipanema. Nem tinha começado a aula e Mizídia já estava puta. Chegou na praça eram 16:43. Estendeu a kanga sobre o gramado e sentou-se conforme todas as outras estavam sentadas.
De olhos fechados e concentrada, a professora, ao perceber a chegada alarmante de Mizídia soltou: "Está atrasada. 43 minutos para ser mais precisa." A vontade de Mizída já era socar a cara da professora, mas se segurou e simplesmente pediu desculpas. Olhou para a coleguinha que meditava ao lado e sussurrou: "Aposto que ela não é japonesa!" cochicha Mizídia a respeito da instrutora que lhe camava atenção pelo atraso.
- Não é mesmo. - Disse a coleguinha. - Ela é indiana. - Fechando os olhos novamente.
- Vamos "inspirar e puxar". Bem lentamente! Vamos respirar direito. - Instruiu a professora indiana. Foi nesse momento que Mizídia soltou uma rápida gargalhada de deboche. Todos olharam para ela.
- Perdão? - Disse a intrutora. - Disse algo engraçado? - Indagando Mizídia.
- Não professora. É que voê falou "vamos respirar direito!"
- Sim. E daí?
- E daí que se pra respirar direitoa gente precisa respirar e soltar tão profundamente, eu cho que a gente só respira direito ás 16 horas de sábado! - Completou Mizídia.
Todas continuaram a lhe encarar.
-Oi?! - Perguntou a professora.
- Ninguém respira assim sempre. Ou a pessoa respira assim ou vive, come, dorme, trabalha. E se assim é respirar direito então estamos todos morrendo. Inclusive a senhora.
A professora começou a respirar profundamente.
- Eu respiro assim sempre! - Gritou uma madamena primeira fila.
- Vai ver é porque você vive ás custas do seu marido e passa o dia inteiro respirando e bufando! - Disse Mizídia já nervosa.
- Vamos (respirando) manter (soltando) o nível (respirando) aqui (soltando). - Fazia a professora.
Mizídia se senta novamente sobre a sua kanga e retoma a posição do yoga.
- Quer saber? - Levanta Mizída imediatamente. - Eu quero mais é que vocês se explodam! - Mizídia começa a arrumar suas coisas.
- Nossa! Mas a senhora está muito extressada... - - Disse a professora. Foi aí que Mizídia voôu em cima do seu pescoço. As madames vão apartar a briga e acabam jogando Mizídia longe, que com classe se levanta e finaliza olhando no fundo dos olhos da instrutora indiana:
- E quer saber? Existem mais de trilhões de astros no universo e eles nunca estarão alinhados! Suas burras!
Mizídia pega a sua kanga do gramado, a sua bolsa e dá as costas para as madames de Ipanema.
- Já chega!... Vou fazer yoga no meu wii.! - Sussurra Mizídia, comteplando o pôr-do-sol, ao fundo da praça Getúlio Vargas.



por alberto szafran.

----------x----------

Nenhum comentário:

Postar um comentário