terça-feira, 30 de novembro de 2010

artigo 6 - você alimenta o monstro que te come.

O ser-humano se torna vivo ainda quando feto. Não possui boca, ouvidos, olhos, nem mesmo nariz mas já respira. Quando feto, o ser-humano tem uma prova de fogo já no ventre de mãe; ele é obrigado a conviver e a gostar de todos os alimentos que a sua provedora ingere. A partir daí, sem saber, um pobre recém-nascido, ou nem mesmo isso, está colocando para dentro de seu organismo as substâncias mais tóxicas que circulam nos mercados de alimentos.
O feto nasce. Ele chora. Parece difícil de acreditar, mas não é impossível deduzir o pôr que: ele sabe que assim que nascer a sociedade estará pronta para corrompê-lo. Prova disso? Nos seus primeiros momentos respirando o ar puro do mundo, em um espaço totalmente novo, mesmo com medo, ele é retirado dos braços de sua maior protetora: sua mãe. O bebê é levado para um berçário, onde a paritr daí, ele é obrigado á conviver em comunidade à outros bebês recém-nascidos que ele nunca ouviu ou viu na vida. E isso acontece apenas na primeira meia-hora de sua vida.
Um simples ato, pouco falado e comentado quando você nasce é o que mais significa: quando se rompe o cordão umbilical. Isso significa simplesmente uma coisa: você está sozinho. Nem mesmo a pessoa que mais te ama no mundo possui uma ligação palpável com o filho que acaba de parir.
Ao sair da maternidade você é bombardeado por sons de carros, buzinas, pessoas histéricas, gritos e músicas. Não te respeitam nem no momento ao qual você mais precisa de cuidado e proteção. Você chora. Chora muito. Chora porque não quer estar ali. Quer voltar para a barriga de sua mãe. Pior. Chora porque você sabe que algum dia, você vai fazer parte disso aí. Você vai alimentar essa sociedade.
Com apenas cinco dias de vida, você vai para casa no colo de sua mãe e assim que chega no que te é designado "lar", sua própria mãe te coloca no berço. Ela não pára pra considerar que talvez o melhor pra você naquele momento é ser simplesmente embalado no seu próprio colo.
Você cresce. A sua mãe te enche de roupas, gorros, sapatos, bonés, casacos. Aí ela te dá de comer do primeiro pecado capital: a vaidade. Com apenas alguns meses de vida é implantado na sua cabeça que o que você veste define quem é você. Você mal sabe, mas está sendo treinado para alimentar o primeiro monstro que vai te comer: as roupas de marca. Isso um dia vai vir á tona. As grifes de loja que você um dia irá desejar será provavelmente a mesma grife que irá matar um urso de frio para fabricar o casaco de pele que, um dia, você irá vestir.
Com cinco anos você vai ter o seu primeiro dia de aula na escola (quando não é antes no maternal). Você conhece aqueles que serão os seus primeiros colegas de sua vida. Aqueles que irão sempre ter alguma coisa que você não têm e, mesmo que você não precise, você vai desejar possuir.
Nisso, a sociedade vai te dar de comer do segundo pecado capital: a inveja. E sem perceber você será atingido com uma das mais letais armas da sociedade; a mídia. Com cinco anos você vê pela televisão aquele carro, aquela boneca ou aquele mais inútil dos brinquedos e, mesmo que você não precise, só por estar aparecendo ali ou pelo seu coleguinha da escola ter, você vai pedir ao seu pai. Pronto. A sociedade está desde muito cedo conseguindo te corromper. Te corrompe e com uma arma que vai te atingir até o fim dos seus dias: a televisão. A mídia, o poder dos comerciais chegam a beirar o absurdo, somente porque você pensa que eles não te influenciam, mas você mal sabe, eles é quem são a alma do negócio, desde então você acaba aderindo ao terceiro pecado capital que a sociedade te impreguina: a preguiça. "Para que caminha no parque, se hoje posso assistir um filme na televisão?" "Para que ouvir a voz dela pelo telefone se podemos nos falar pela internet?" É terrível admitir, mas você, jovem, é um zumbi da sociedade, que só precisa de você para consumir.
O problema é que o consumo requer uma pequena cédula. Um pedaço de papel tão frágil e barato de ser fábricado, ams que ao mesmo tempo é tão difícil e nos custa tão caro de se possuir;  dinheiro. Pessoas se corrompem, roubam, matam por dinheiro e, são julgadas pela sociedade! A mesma que associa o dinheiro a felicidade, que te afirma que pra ser feliz, você precisa ser rico. A sociedade te impõe um quarto pecado capital: a avareza. Você, quando jovem, deve poupar o seu dinheiro para comprar aquele carro ou fazer aquela viagem, que viu na televisão. Você não pode gastar esse dinheiro de maneira nenhuma. Nem mesmo se para isso, você deva se privar de algumas necessidades; como comer.
E se por um lado existem pessoas que deixam de comer, outras comem absolutamente mais que o necessário. Quando você vai a um churrasco e come dez corações de galinha, você pára pra pensar que dez galinhas tiveram que morrer pra você comer um pedaço de carne do tamanha da pata de um chiuahua? "Taí". A sociedade de tá de mão beijada o quinto pecado capital. A gula. Você sabe. O pior é que você sabe que é você o responsável pela morte de milhões de animais anualmente.
Você se casa. Tem uma mulher, uma família, trabalha para ganhar dinheiro. É uma pessoa relativamente feliz. Leva um dia a sua esposa ao cinema e fica deslumbrado com aquela atriz maravilhosaque tá a impressão que o que você têm não é o suficiente, de lá, você leva o sexto pecado capital; a luxúria. Aquela cobiça á mulher do próximo.
Agora você é definitivamente um produto da sociedade. Faz o que ela quer, consome o que ela que e conscente com absolutamente tud que lhe é imposto.
Está furioso com ela? Não fique. Pois você acaba de aderir ao sétimo e último pecado capital que a sociedade lhe impõe: a ira.
Vaidade, inveja, preguiça, avareza, gula, luxúria e ira. Os sete pecados capitais que a sociedade te implanta e te condena por eles.
E você chama a sociedade de "monstro", mas me responde uma coisa: Quem você acha que alimenta esse monstro? É meu amigo. Você odeia a sociedade, mas sinto lhe informar, você faz parte dela.


por alberto szafran.


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2 comentários:

  1. Meu querido amigo, me tire uma dúvida

    na sua opinião. A sociedade corrompe o homem, ou o homem corrompe a sociedade?

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  2. a sociedade corrompe o homem, pra que depois ele faça parte dela, e comece á corromper também.

    ; )

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